2010 Língua Portuguesa Agente Censitário Municipal Média | 1 min
Texto de Apoio

Parábola da falta d’água:

Vivia faltando água naquela fábrica. O dono da fábrica tinha de se valer de um sujeito que lhe trazia uma pipa d’água regularmente, ao preço de três mil cruzeiros.

Um dia o tal sujeito o abordou:

— O patrão vai me desculpar, mas vamos ter de aumentar o preço. De hoje em diante a pipa vai custar cinco mil cruzeiros.

— Cinco mil cruzeiros por uma pipa d’água? Você está ficando doido?

— Não estou não senhor. Doido está é o manobreiro, que recebia dois e agora quer receber três.

— E posso saber que manobreiro é esse?

— Manobreiro desta zona, responsável pelo controle da água. Eu vinha pagando dois mil a ele, mas agora ele quer é três. Não sobra quase nada pra mim, que é que há? E está ameaçando de abrir o registro se eu não pagar.

— Abrir o registro? Que conversa é essa? Me explique isso melhor.

— Se o senhor não me pagar, eu não pago a ele. Ele deixa entrar a água e lá se vai por água abaixo o nosso negocinho.

(SABINO, Fernando. Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996)


No final do texto, a palavra “negocinho” (l. 24) está empregada com sentido depreciativo, irônico. Esse sentido irônico ocorre também na seguinte oração:

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