Se você está estudando para o concurso do Banco do Brasil, provavelmente já decorou os tópicos do edital, mas ainda não sabe exatamente como vai ser a sua vida depois da aprovação. E essa dúvida é tão importante quanto qualquer questão de prova: afinal, de nada adianta passar em um concurso para uma rotina que não combina com você.
Neste artigo, reunimos relatos de funcionários, dados de plataformas de avaliação profissional e informações oficiais sobre o cargo para te mostrar, sem filtro, como é o dia a dia de quem veste a camisa amarela do BB.
Qual é a carga horária de quem trabalha no Banco do Brasil?
A maioria dos cargos de entrada do Banco do Brasil, como o de Escriturário, segue a jornada bancária prevista no Artigo 224 da CLT: 6 horas diárias, 30 horas semanais, normalmente distribuídas em dias úteis, a prática pode variar por função/escala. Esse ponto é considerado um dos grandes atrativos da carreira, já que a jornada é bem menor do que a de outros empregos do setor privado ou de outros cargos administrativos do serviço público.
Já os cargos com mais responsabilidade, como gerências e algumas funções de assessoria, costumam trabalhar 8 horas por dia. Vale destacar que esse tema está em discussão: o próprio banco tem negociado com o sindicato dos bancários a conversão de parte dos cargos de assessoria para a jornada de 8 horas, então é sempre bom acompanhar o edital vigente e as negociações coletivas mais recentes antes de fazer suas contas de carga horária.
Como é o dia a dia de um escriturário do Banco do Brasil?
O escriturário é o cargo de entrada mais comum no BB e o que mais aparece em concursos. Segundo relatos de aprovados e materiais de bancas preparatórias, o início da carreira costuma seguir um roteiro parecido:
- Integração inicial, de uma a duas semanas, para conhecer os setores, sistemas, benefícios e normas internas do banco.
- Setor “Posso ajudar”, geralmente o primeiro posto do novo funcionário, auxiliando clientes no uso dos caixas eletrônicos e em pagamentos simples.
- Mesa de atendimento, onde entram as tarefas mais amplas: abertura de contas, aplicações financeiras, empréstimos, resolução de problemas com cartões e senhas.
Com o tempo, é comum que o funcionário seja direcionado para funções específicas, como caixa, assessor de conta corrente ou suporte ao gerente, sempre de acordo com o perfil e as necessidades da agência.
Quais tarefas um escriturário realiza na agência?
No dia a dia, as atividades mais citadas por quem já trabalhou no cargo incluem:
- Atendimento presencial e em terminais de autoatendimento;
- Abertura, atualização e movimentação de contas;
- Orientação sobre produtos financeiros (crédito, seguros, previdência privada, consórcios);
- Suporte em operações de cobrança e análise simples de dados de clientes;
- Comercialização de produtos e serviços do banco.
Um ex-funcionário que hoje atua na área de TI do BB, em entrevista à Folha Dirigida, relatou que começou como agente comercial em uma agência do interior de São Paulo, atendendo no caixa, na sala de autoatendimento e depois como assessor de conta corrente , cuidando de uma carteira de clientes e dando orientações sobre gestão financeira. Depois de cerca de um ano, ele conseguiu uma transferência interna para a área de tecnologia, o que mostra como a mobilidade entre setores é uma realidade dentro do banco.
Existem metas a bater no Banco do Brasil?
Sim, e esse é um dos pontos mais comentados por quem trabalha na área comercial. O funcionário costuma ser treinado e direcionado para vender produtos como consórcios, seguros e investimentos, e o cumprimento de metas é parte da rotina , especialmente em agências físicas.
Nas avaliações de funcionários no Glassdoor, esse é um dos temas que mais dividem opiniões. Alguns relatos mencionam “muitas metas e cada vez mais crescendo, com pouco reconhecimento” pelo trabalho realizado, enquanto outros descrevem um ambiente mais equilibrado, com “gerentes que não cobram demandas impossíveis nem pressionam os funcionários abusivamente”. Ou seja: a experiência com metas pode variar bastante dependendo da agência, da região e, principalmente, da liderança direta.
O trabalho no Banco do Brasil é presencial ou híbrido?
Depende do cargo e da área. Funções de agência (como o escriturário atuando no atendimento) costumam ser presenciais, já que dependem do contato direto com o cliente. Já áreas mais técnicas, como Tecnologia da Informação, têm adotado modelos híbridos com mais frequência , inclusive com bases de trabalho em cidades como São Paulo e Brasília para parte da carreira de TI.
Vale reforçar: mesmo dentro do BB, praticamente não existe home office 100% remoto. O modelo mais comum, mesmo nas áreas mais flexíveis, é o híbrido, combinando dias presenciais com dias remotos.
Como é o ambiente de trabalho e a cultura do Banco do Brasil?
Aqui entra a parte mais interessante para quem quer entender a experiência real de trabalhar no banco , e vale a pena olhar os dois lados.
O que os funcionários mais elogiam
Nas avaliações públicas de colaboradores, os pontos mais citados como positivos são:
- Estabilidade e reputação de ser uma empresa sólida, ética e de economia mista;
- Plano de carreira estruturado, com possibilidade real de crescimento por meio de processos seletivos internos;
- Benefícios consistentes: previdência privada, vale-alimentação, participação nos lucros e outros auxílios;
- Investimento em capacitação, através da UniBB, a universidade corporativa do banco, que oferece milhares de cursos ao funcionário, incluindo conteúdos de nomes de referência no desenvolvimento profissional;
- Jornada de 6 horas, apontada com frequência como um dos maiores diferenciais em relação a empregos do setor privado.
O que os funcionários mais criticam
Do outro lado, as críticas mais recorrentes envolvem:
- Pressão por metas comerciais, especialmente em agências com alto volume de clientes;
- Dificuldade de crescimento por mérito técnico em algumas áreas, com relatos de que a ascensão depende muito de relacionamento interno;
- Sistemas internos considerados falhos ou instáveis em alguns relatos, o que geraria retrabalho;
- Defasagem salarial em comparação com a inflação nos últimos reajustes de Acordo Coletivo de Trabalho, um ponto levantado pelo sindicato da categoria em negociações recentes;
- Diferença de condições entre quem entrou antes e depois de determinadas mudanças no plano de cargos, o que gera certa insatisfação entre funcionários mais novos.
Vale dizer que, apesar das críticas pontuais, o Banco do Brasil mantém uma taxa de recomendação alta entre seus próprios funcionários em plataformas de avaliação, com notas consistentemente boas em cultura, benefícios e oportunidades de carreira , mas com qualidade de vida sendo a métrica mais sensível às diferenças entre agências e áreas.
Vale a pena trabalhar no Banco do Brasil?
A resposta sincera é: depende do que você mais valoriza em um emprego. Se estabilidade, plano de carreira, benefícios consistentes e uma jornada de 6 horas são prioridades para você, o BB tende a entregar isso com folga em comparação com boa parte do mercado. Por outro lado, se você tem baixa tolerância a pressão por metas comerciais ou busca um cargo 100% remoto desde o início, vale entrar na carreira já sabendo que a rotina de agência costuma ser mais dinâmica , e às vezes mais estressante , do que muita gente imagina antes de passar no concurso.
De qualquer forma, entender essa realidade antes da prova é o primeiro passo para estudar com um propósito mais claro: você não estuda só para passar, estuda para construir a rotina que você já sabe que quer viver.





