Introdução
Maldito seja esse costume humano de sempre se comparar com os outros, sempre encontrar nos outros algo que “falta em sí mesmo”, é como diz o ditado, a grama do vizinho é sempre mais verde.
Sempre tem alguém mais inteligente, alguém mais capacitado, alguém com mais dinheiro, alguém com mais experiências, alguém mais isso, mais aquilo… E você sempre dá muita importância a essas características que outros possuem e você não, ao mesmo tempo que deixa de reconhecer qualidades suas que talvez outros invejam e gostariam de ter.
Eu sei, você não acredita possuir características que outros invejam, isso porque elas são naturais para você. Na maior parte do tempo, ficámos frustrados com o que nos falta, sem perceber o quanto já temos, mas não é sobre isso que vamos falar hoje.
No dia a dia, é comum nos compararmos com os outros e isso é natural, afinal vivemos em sociedade, o problema está quando deixamos de crer nas nossas próprias capacidades, está quando entramos em um desafio apostando na vitória do outro e em quando atribuímos nosso valor as comparações injustas que fazemos diariamente.
Hoje vamos tratar disso, vamos entender como essas comparações sabotam o seu processo e te impedem de alcançar seus objetivos. Numa disputa, sempre tem o vencedor e o perdedor… o primeiro tem que estar preparado para ser o segundo.
Quando começam as comparações?
Mediante uma dúvida de valor próprio. Direto não? Vamos com calma. O ser humano se compara com os outros a fim de buscar reafirmar o próprio valor, ou confirmar algo sobre si mesmo.
Alguém que vai participar de uma prova para um concurso, mas sente que não se preparou o suficiente, vai buscar, inconscientemente, “evidências” que confirmem sua teoria. Então se alguém chegar para essa pessoa e falar que estudou durante cinco anos para a prova, enquanto a outra pessoa não estudou nem um ano, imediatamente ela terá a sua “confirmação” que não se preparou para aquilo, ela vai esquecer que as pessoas aprendem de formas diferentes e vai olhar só para os números, diminuindo a própria credibilidade.
Nas suas comparações, você nunca ganha
“Fulano passou em um concurso, beltrano comprou ‘x’, ciclana é muito ‘y’’… em observações como essas, vamos dar importância apenas ao que os outros têm e nós não. Tudo na vida tem a importância que atribuímos a ela, ou seja, o fenômeno em si, só é importante se decidirmos que ele é.
E essas comparações são sempre injustas, porque você compara a especialidade de alguém com a sua debilidade. Você é bom em basquete, mas no futebol é terrível… é bom em português e péssimo em matemática, são exemplos bobos, mas ilustram bem a ideia real, as pessoas querem se comparar justo nas atividades que menos domina.
É como entrar em uma luta com um boxeador profissional, com anos de experiência, e ficar bravo por ele ser melhor naquela modalidade. Como se não bastasse entrar em uma luta injusta contra esse boxeador e perder, você ainda dá muita importância para essa derrota, como se ela definisse seu real valor, como se você tivesse que sair vitorioso em uma modalidade que você não tem nenhuma experiência, quanta imaturidade.
Eu consigo vencer a concorrência?
A concorrência existe quando todos estão competindo pelo mesmo prêmio, alguns naturalmente tem mais preparo que outros, alguns estão se preparando a mais tempo, alguns começaram no meio do percurso, alguns têm o juiz no time, enquanto outros começaram lá de trás, sem preparo, sem experiência, somente eles confiam na própria vitória, se não tiverem nem isso, eles não tem nada a seu favor.
Todos têm o direito de desacreditar de você, de duvidar da sua capacidade, de apostar no seu concorrente, menos você. Ninguém pode ter mais certeza da sua vitória, do que você, ter dúvidas durante o percurso é normal, mas continuar adiante, mesmo com dúvidas, é o que vai te trazer retorno, não dá pra ganhar de quem não desiste, porque, mesmo perdendo, ele tenta de novo até vencer.
Competições não são justas, e não devemos querer que sejam, é possível vencer mesmo quando as chances não estão ao nosso favor, como a paciente tartaruga que venceu a orgulhosa lebre em uma corrida ou como Davi que venceu Golias, existe uma certa beleza quando o azarão fica em primeiro, mas pra conseguir tal feito, ele tem que se esforçar muito mais que os outros para superar a desvantagem inicial.
Cabe a você a escolha de se esforçar e vencer mesmo estando na desvantagem ou perder e se lamuriar pelas condições injustas do jogo, reclamar porque uns corriam de cavalo enquanto outros estavam a pé. Vítima não recebe prêmio algum, convencer a si mesmo e aos outros que a competição foi injusta não vai te colocar onde você queria estar, então para de perder tempo com isso e dobra a aposta, aposta em você.
Me Esforcei ao Máximo e Ainda Fui Superado
Esse título é para aqueles que já quebraram a cara, é para aqueles que realmente se esforçaram, mas perderam para a concorrência, essa mensagem é pra você:
Já começo dizendo o mais importante… você ainda não perdeu. Você se dedicou, de verdade, foi muito tempo trabalhando nisso, você abriu mão de fazer outras coisas para estar aqui e fazer o que tinha que ser feito, mas no final das contas você não conquistou o resultado que queria, talvez você tenha perdido de lavada, talvez você tenha morrido na praia, mas no fim o resultado ainda foi difícil de aceitar, porque alguém foi “melhor que você”.
Existem dois equívocos nessa história, o primeiro é que você ainda não perdeu, só perdemos quando deixamos de tentar, isso foi apenas um tropeço. O segundo engano é pensar que perdeu por incompetência… a verdade é que quando você entrou nessa disputa já existiam pessoas que estavam bem na sua frente, da mesma forma que você está na frente de alguém que começar hoje, você percorreu um percurso que essa pessoa ainda vai percorrer.
Parar agora é desistir no momento em que você mais esteve preparado para vencer, hoje você tem muito mais chances do que quando começou, amanhã você vai estar mais preparado do que hoje, e quanto maior for o tempo dedicado a isso, maior será sua chance de vitória. É óbvio que sua conquista vai vir no momento que você queria, mas se continuar persistindo ela virá em algum momento.
Inveja da Conquista dos Outros
Enquanto você estuda para uma prova de concurso público, pode ficar ansioso para ingressar na carreira, e quando vê outras pessoas chegando lá antes de você, é bem mais frustrante. E isso não acontece só com concursos públicos, mas em toda situação que vemos alguém conquistando seus objetivos enquanto nós ainda estamos pagando a nossa etapa.
Às vezes, você só queria colher os frutos do seu plantio, mas ainda tem que esperar a árvore crescer e continuar trabalhando duro, enquanto a horta do seu vizinho está abundante em frutas, legumes e verduras, e o próprio está deitado em uma rede curtindo a brisa… e você vendo tudo de camarote com seu suor escorrendo. Relaxa, vai chegar a sua vez de ficar na rede só curtindo a brisa, mas neste momento você precisa focar na sua horta e parar de olhar para a do seu vizinho.
Seja Melhor Amanhã, e Ainda Mais Depois
A única comparação que você tem que buscar vencer é ser melhor a cada dia, melhor que você mesmo. O seu eu de amanhã tem que ser melhor que o de hoje, e o de hoje, melhor que o de ontem. Estar em busca de se superar, em busca de evoluir a cada dia, mesmo que seja só um pouco, vai te trazer uma competição mais justa. Pare de se comparar com outras pessoas, pare de querer ser “melhor” que os outros, até porque “ser melhor” é relativo, depende de quem avalia.
Essas comparações que fazemos com os outros acontecem de forma natural, sem planejamento, mas quando existe a suspeita de que fulano tem muito mais, ou é muito mais, é como veneno, é uma inveja que nos impede de crescer. Use as vitórias dos outros como motivação para alcançar as suas, “um dia também vou ter isso”, “eu também posso aprender isso” e, principalmente, se esforce para tentar ser melhor a cada dia.





